Coragem para Crescer

Desenvolvimento pessoal para pessoas reais.

Planejamento de carreira

"Sucesso em qualquer empreitada depende do quanto isso é uma expressão do seu eu verdadeiro." - Ralph Marston
Existem muitas estratégias que você pode usar para escolher e planejar uma carreira, mas talvez os dois padrões mais básicos sejam de baixo para cima e de cima para baixo.

Planejamento ascendente (de baixo para cima)

Planejamento ascendente (ou de baixo para cima) significa descobrir como você pode melhor aproveitar os blocos básicos que você já tem. É um método de baixo-nível e objetivo.

Talvez a forma mais simples de planejamento de baixo para cima seja quando você passa por uma vitrine que tenha um cartaz "Contrata-se", e você se candidata para o emprego porque está disponível e porque você acha que se encaixa um pouco com você. Um método mais complexo de planejamento ascendente seria avaliar suas necessidades atuais (salário, horário, benefícios, localização) e qualificações (educação, habilidades, experiência) de forma a descobrir qual tipo de trabalho melhor se encaixaria com você. Então você poderia criar um currículo e começar a procurar trabalho baseado em quais cargos você se sente qualificado para exercer, ou você poderia se tornar um "freelancer" ou então criar um negócio a partir das suas habilidades. No fundo da sua mente você está se perguntando "que tipo de trabalho eu deveria arrumar?" ou "para que tipo de trabalho eu sou qualificado?"

O planejamento ascendente de carreiras é o que praticamente todo mundo acaba usando. Quando as pessoas fazem qualquer tipo de planejamento de carreira, elas quase sempre usam uma estratégia de baixo para cima. O próprio ato de criar um currículo é um processo ascendente.

Você já fez aqueles testes vocacionais? Eles também são um processo ascendente. No ensino médio eu fiz um teste chamado Kuder, que é um longo teste de múltipla escolha que supostamente te ajudaria a determinar que tipo de carreira seria melhor pra você. Ele tem perguntas estranhas, tais como "Você preferiria assistir uma ópera, um discurso político ou um incêndio?" Então ele compara as suas respostas com um banco de dados com as respostas de vários profissionais de diferentes carreiras. Os resultados dizem quais carreiras tem pessoas que pensam da mesma forma que você, então eu imagino que a suposição é que você vai ser mais feliz no meio de pessoas parecidas. Pareceu uma coisa meio "Admirável Mundo Novo" para mim. Minhas 3 melhores opções segundo o teste foram: (1) programador de computadores, (2) guarda florestal, e (3) professor de matemática. Uma infeliz limitação do Kuder é que ele não pode recomendar carreiras que ainda não existem quando você fez o teste. Mas acho que "blogueiro" é bem parecido com "guarda florestal"; os dois protegem árvores.

Depois que recebemos os resultados, eu me diverti bastante atormentando um amigo inteligente para o qual o Kuder recomendou "pedreiro" como melhor carreira. Vai saber, talvez ele esteja construindo "celeiros tecnológicos" hoje.

Planejamento descendente (de cima para baixo)

Planejamento descendente (ou de cima para baixo) significa se conectar com quem você realmente é no nível mais profundo (da alma ou da mente, dependendo da sua preferência), e descobrir a melhor forma de expressar e compartilhar com o mundo esse valor central. Esse é um método de planejamento subjetivo de alto nível.

Uma forma bastante simples de planejamento descendente seria dizer, "O conceito de coragem realmente ressoa comigo, então eu vou construir uma carreira em cima de ser corajoso." Mas é claro que você pode cavar bem mais fundo nos seus valores, caráter e outros atributos da sua alma para criar um conceito de carreira mais detalhado. No fundo, você está se perguntando "Quem sou eu de verdade?" ou então "Qual a melhor forma de eu compartilhar meu valor central e inato com o mundo?"

Planejamento de carreira de cima para baixo (descendente) é muito menos comum do que de baixo para cima (ascendente). Descendente é às vezes visto em áreas artísticas como música, arte e atuação, mas mesmo assim é raro ver ele ser executado conscientemente. Por exemplo, decidir ser um músico porque você ama música ainda é ascendente. Decidir expressar paz porque você reconhece isso no fundo do seu ser seria descendente, e compor músicas que trazem paz seria uma das muitas maneiras de fazer isso.

Muitas pessoas já fizeram exercícios de cima para baixo tais como clarificar seus valores ou escrever uma declaração de missão, mas elas raramente levam o processo longe o suficiente para desenvolver essas ideias centrais em uma carreira de tempo integral. É por isso que você vê pessoas que têm declarações de missão do tipo "Eu quero usar música para ensinar compaixão e amor incondicional", mas que trabalham em vendas.

Planejamento ascendente vs. descendente

Planejamento ascendente começa com os aspectos de uma carreira que são práticos, de baixo nível, físicos. Leva em consideração coisas como salário, qualificações, segurança, benefícios e promoções como os elementos mais importantes para se acertar. Uma vez que você tenha tudo no lugar, só depende de você para aproveitar isso da melhor forma.

Planejamento descendente começa com os aspectos de alto nível, espirituais e emocionais. Ele considera autoexpressão criativa como o elemento mais importante para se acertar. Uma vez que você tenha uma forma de expressar seu verdadeiro "eu", você trabalha nas questões práticas de desenvolver suas habilidades e gerar renda para atender suas necessidades.

Ambas as estratégias têm suas vantagens e desvantagens, então uma abordagem equilibrada parece ser o mais sábio. No entanto, eu não recomendaria aplicar ambas as estratégias com o mesmo peso. Acredito que o melhor planejamento de carreira seria uma combinação de mais ou menos 80% descendente (de cima para baixo) e 20% ascendente (de baixo para cima).

Como seria uma combinação 80-20? Isso significa investir a maior parte dos seus esforços em descobrir quem você realmente é, entrar em contato com seus valores centrais, e decidir o que você quer realmente expressar para o mundo. O resultado disso seria basicamente uma declaração de propósito que ressoa profundamente com você. Uma vez que você tenha isso, você realmente já andou 80% do caminho.

Por exemplo, a Erin sabe que seu valor central é a compaixão. Ela tem isso muito claro. Ela sabe que não importa qual a forma física da carreira dela, tem que ser centrada na expressão de compaixão. Senão, ela não estaria expressando seu "eu" verdadeiro. Ela nunca seria feliz e realizada em uma carreira que não bate com a expressão e compartilhamento de compaixão, não importa o quão qualificada ela fosse, o quanto pagasse, ou o quão perfeito poderia parecer para outras pessoas. Uma vez que ela sabe disso, ela pode continuar com o planejamento descendente para explorar diferentes maneiras de expressar isso, tal como escrevendo, oferecendo leituras intuitivas, ajudando outras pessoas em fóruns, etc. Assim que ela clarificou o valor central que ela precisava expressar, não foi tão difícil pra ela colocar as questões de mais baixo nível em ordem, incluindo desenvolvendo habilidades através de estudo e prática, e encontrando uma forma sustentável de gerar renda com seu trabalho.

Quando eu conheci a Erin em 1994, entretanto, ela trabalhava como secretária. Ela já tinha tido muitos cargos de secretariado antes. Por quê? Basicamente porque ela consegue digitar mais de 90 palavras por minuto. Se ela continuasse com essa abordagem de baixo para cima, ela poderia um dia chegar a ser uma assistente executiva. Seria um bom encaixe para suas qualificações e experiência, e teria atendido suas necessidades físicas, mas trabalho de secretariado seria uma forma muito fraca de expressar seu valor central de compaixão. Curioso é que agora as habilidades de digitação servem a ela muito bem como uma blogueira.

Se você colocar o planejamento ascendente na frente do descendente, você está colocando a carroçã na frente dos bois. Essa abordagem não vai resultar no melhor nível de clareza. Não é uma boa forma de conscientemente construir uma carreira que te realize. É como olhar para o chão para explorar as estrelas.

Eu vejo os resultados de planejamento ascendente excessivo toda semana na minha caixa de entrada. Pessoas que centralizam suas carreiras em torno das suas qualificações, habilidades e exigências salariais frequentemente acabam infelizes - ou no mínimo desiludidas - mesmo quando elas parecem estar indo muito bem de um ponto de vista objetivo. É difícil quando as pessoas conseguem o que desejaram e aí percebem que elas desejaram pela coisa errada. Depois de 10-20 anos, elas estão morrendo por dentro enquanto suas almas suplicam para que elas parem e abandonem tudo... invariavelmente para ir para uma carreira que vai servir como uma forma melhor para sua autoexpressão criativa.

Só porque você consegue fazer algo e ser pago bem para isso não quer dizer que você deveria. Não confunda o meio com a mensagem. Você será muito mais realizado se você buscar uma carreira que permita que você expresse seu eu verdadeiro o máximo possível. Então eduque-se, pratique e deselvolva suas habilidades para ficar bom em formas compatíveis de expressão, até que você consiga satisfazer suas necessidades com abundância. Pode levar algum tempo, mas se você realmente estiver expressando seu eu verdadeiro, esse processo provavelmente vai ser divertido e interessante.

Sua carreira ideal é simplesmente o seguinte: compartilhe seu eu verdadeiro com o mundo através do processo de autoexpressão criativa. Para fazer isso, no entanto, você precisa primeiro descobrir seu eu real. Mas não faz sentido escolher um meio de autoexpressão (carreira) tal como ser médico, escritor ou empreendedor, até que você primeiro determine o que é que você vai expressar.

Esta é uma tradução feita por mim. Texto original de Steve Pavlina.
Planejamento de carreira Planejamento de carreira Reviewed by Coragem para Crescer on março 21, 2019 Rating: 5

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